Mulheres profissionais: Desafios e conquistas

Parte 4 – Potencialidades femininas no mercado de trabalho

Ao contrário de algumas décadas atrás, hoje as mulheres começam a se destacar na educação e lutam pela conquista de seu espaço no mercado de trabalho. A inserção da mulher no mercado de trabalho, bem como as lutas e conquistas ao longo dos anos, enfatizam que as evoluções só são possíveis a partir do momento em que pensamentos são modificados.

Percebe-se que a presença feminina nas empresas contribui significativamente para a diminuição dos preconceitos. Instituições que investem na presença feminina se tornam mais colaborativas e possuem menor incidência de abuso e agressão contra mulheres. Além disso, as mulheres são mais da metade da população e são grandes consumidoras de produtos e serviços.

De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o aumento da participação das mulheres no mercado de trabalho poderia injetar mais de R$ 382 bilhões na economia brasileira até 2025. Isso representaria um aumento no PIB de 3,3%. Portanto, a maior participação feminina no mercado de trabalho e o investimento em sua qualificação significa a possibilidade de alcançar melhores níveis socioeconômicos. Esse é um excelente motivo para que as políticas públicas tratem a igualdade de gênero como prioridade.

Para Ceola (2014) um bom líder tem como umas das qualidades motivar as pessoas a segui-las. Essa capacidade de persuasão é vista com grande frequência na população feminina. Podemos também destacar algumas qualidades de líderes que estão presentes na liderança feminina, como: alta inteligência emocional; a capacidade de motivar e inspirar o próximo; dispõe para assumir riscos; visão clara dos objetivos desejados; capacidade na formação de equipe e auxiliar os mesmos; de influência; de estratégia e diplomacia. O mundo anda apostando em valores femininos, como a capacidade de trabalho em equipe contra o antigo individualismo, a persuasão em oposição ao autoritarismo, a cooperação no lugar da competição.

As mulheres trabalham naturalmente com a diversidade e processos multifuncionais, o que se torna uma imensa vantagem para o rendimento na empresa.

A inteligência emocional no trabalho, em particular, é uma das habilidades mais importantes para um profissional. A partir da organização das próprias emoções, é possível lidar com a pressão no dia a dia, conflitos nos relacionamentos interpessoais e outros desafios. Essa competência tem sido valorizada no ambiente de trabalho, pois percebe-se que tem impacto direto na produtividade dos profissionais e nos resultados atingidos. Profissionais mulheres foram mais bem avaliadas do que gestores homens em quase todas as competências que formam o conceito de inteligência emocional como autoconhecimento, empatia, gestão de conflitos, adaptabilidade e orientação para resultados. É o que aponta um estudo global com 55 mil profissionais de diversos níveis de gestão realizado pelo Hay Group.

A sensibilidade feminina, também é uma habilidade bem vista no mercado de trabalho, permitindo a constituição de equipes marcadas pela diferença e pela heterogeneidade. Equipes desse tipo, encontram soluções variadas e criativas para problemas aparentemente insolúveis.

Entre outras várias habilidades bem desenvolvidas nas mulheres temos a resiliência (capacidade de sobreviver às adversidades, trabalhar sob pressão, lidar com desafios e encontrar novas soluções), comprometimento (prezam por fazer um trabalho bem feito, com atenção e capricho, além de serem comprometidas com horários e prazos), criatividade (preparadas para criar caminhos e soluções), flexibilidade (se adaptam com facilidade às mudanças e na maioria dos casos preferem uma jornada de trabalho flexível.) e multitarefas (A capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo também é uma habilidade feminina. As jornadas duplas estão aí para confirmar).

Ao longo da história, elas tiveram que desenvolver essas características. Mas ainda é necessário que haja uma conscientização popular sobre a situação das mulheres não apenas no mercado de trabalho, mas na sociedade como um todo. Uma primeira prática é tornar o próprio ambiente de trabalho mais inclusivo. A fundadora da B2Mamy fala sobre a importância de um espaço para mães deixarem seus filhos pequenos com segurança.

“Um coworking baby friendly é um benefício corporativo que faz diferença para elas subirem na carreira. Uma escola integral custa muito mais, e a conta não fecha para muitas mães”.

Outra atitude que ajuda a equilibrar as contas é promover o trabalho remoto com mais frequência. A modalidade ganhou força na pandemia – mas precisa ser revisada para realmente funcionar. “O home office tem algumas pegadinhas, como empresas que não cedem estruturada adequada ou que não respeitam horários combinados de trabalho. Essa dinâmica de expediente em casa ainda não é bem entendida e precisa de regras”, alerta Ana, da Rede Mulher Empreendedora.

Mais uma ação que favoreceria todos os funcionários seria a equiparação entre tempo de licença-maternidade e de licença-paternidade, unificadas na expressão “licença-parental”. A regra atual só reforça que é a mulher quem deve ficar mais tempo cuidando dos filhos e que o homem é mais importante que ela no mundo corporativo. Ter a oportunidade de discutir com os chefes, antes da licença, como será seu retorno é fundamental. Alguns países que equiparam licença-maternidade e paternidade são Espanha, Islândia e Suécia.

“Adotar essa terminologia tira a responsabilidade apenas da mulher de cuidar da criança e torna a família responsável. Pai ou mãe então equilibram o tempo que cada um passa com o filho”.

Ana, da Rede Mulher Empreendedora

Além disso, é inadiável nutrir a desconstrução dos papéis sociais de gênero a fim de construir um mercado de trabalho e uma sociedade mais igualitários em condições e oportunidades para homens e mulheres. Por isso, educar os homens para assumir tarefas domésticas e a responsabilidade com os filhos tanto quanto as mulheres é uma das principais maneiras de avançarmos nessa realidade. De acordo com o IBGE, as mulheres dedicam mais de 21 horas por semana às atividades de casa, enquanto os homens gastam cerca de 11 horas.

Depois, o foco deve estar em levar mais mulheres para o alto escalão das organizações. Muitas empresas acreditam que têm diversidade por contarem com mulheres em igualdade de número ou até maioria no quadro de colaboradores. Porém, é preciso que as instituições reflitam sobre o quanto elas são reconhecidas, quais salários elas recebem e quais posição elas ocupam. “As mulheres conquistaram o mercado de trabalho até a média gerência, mas ainda não estão nas posições de poder. Fica implícito que ela não pode sonhar em ser uma grande executiva, porque algum dia pode decidir ser mãe”, diz Ana. A Pesquisa Panorama Mulher, feita pelo Insper e pela consultoria Talenses em 2019, mostrou que 26% das posições de diretoria são ocupadas por mulheres – apenas 13% delas ocupam a presidência de negócios.

“Homens e mulheres são diferentes e exercem a liderança de formas diferentes, mas é preciso saber, desde a infância, que é muito grave o discurso de que homem veste azul e mulher, rosa. A meninas precisam ser inseridas também nas aulas de robótica”.

Ligia, professora da Fundação Getúlio Vargas

Ao serem questionadas se enfrentaram alguma dificuldade profissional durante o período de gestação ou logo após o nascimento do bebê, 58% disseram que não sentiram, pois atuam em uma empresa que acolhe e apoia as mulheres durante essa fase, enquanto 41% relataram problemas, pois precisavam se ausentar para consultas e isso gerava reclamações, capacidade profissional questionada ou foram demitidas após retornar da licença maternidade. “Temos observado uma evolução no comportamento das companhias, que estão deixando de avaliar as profissionais de maneira imediatista e pensam no futuro delas dentro da empresa, o quanto podem se desenvolver. Algumas revelaram, inclusive, que foram contratadas durante a gestão ou com um bebê recém-nascido”, comemora Amaro. Porém, vale frisar que os dados demonstram que o avanço ainda é lento.

Também é importante construirmos projetos que estimulem mulheres a mergulhar nas áreas dominadas pelo sexo masculino e que mostrem as perspectivas que podem trazer para esses setores. Dar espaço para as mulheres em eventos, contando suas histórias, também é importante, diz.

“Tenho certeza de que, por trás de muita história das empresas de tecnologia, há mulheres fazendo a diferença. São poucas, e elas não aparecem. Mas essa é uma forma de outras mulheres verem que é possível.”

Percebe-se que a evolução das mulheres no mercado de trabalho possibilitou que elas ocupassem posições que por muito tempo foram tidos somente como masculinos. Os cuidados do lar e dos filhos já não são as únicas atividades que as mulheres exercem. No entanto, essa herança ainda é presente na realidade de muitas brasileiras, sendo um reflexo da persistente desigualdade de gênero e da discriminação das mulheres no mercado de trabalho. 

Observa-se que as circunstâncias em relação à entrada da mulher no mercado trabalho são complexas. A conquista de novos papeis e a oportunidade de crescimento profissional, não extinguiu as tradicionais atividades sociais atribuídas ao público feminino. O que se nota é um arsenal de tarefas que podem atingir a saúde física e emocional das mulheres. Por outro lado, o trabalho pode ser fonte prazer e reconhecimento social.

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